Lei Maria da Penha faz 20 anos: história de superação em Manaus
Imagem: G1 Amazonas
A Lei Maria da Penha, legislação que se tornou referência no combate à violência doméstica no Brasil, completa duas décadas de existência. Para marcar a data, histórias de mulheres que conseguiram romper o ciclo de agressões e reconstruir suas trajetórias ganham destaque, entre elas a de uma técnica de enfermagem que viveu anos de violência dentro de casa em Manaus.
Ela relata que as agressões começaram em 2018, geralmente durante a madrugada, após desentendimentos com o então companheiro ao longo do dia. Segundo seu depoimento, o agressor evitava reagir nos momentos de discussão e esperava que todos estivessem dormindo para praticar a violência.
Denúncia e medida protetiva
Depois de conviver por cerca de dois anos com o abuso, a mulher decidiu buscar apoio institucional. Em 2020, formalizou a denúncia na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher e obteve uma medida protetiva. Mesmo assim, o ex-companheiro resistiu em deixar o imóvel onde a família residia, permanecendo no local até a intervenção de um oficial de Justiça, que determinou sua saída.
Dados da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 mostram que, em 2025, quase 70% das denúncias registradas indicaram que a violência ocorreu dentro da própria residência das vítimas. Muitas vezes, o agressor é visto socialmente como uma pessoa comum, sem qualquer suspeita de comportamento violento, como destacou a entrevistada sobre o próprio caso.
Impacto nos filhos e rede de apoio
Além do medo constante das agressões, a preocupação com os dois filhos, que presenciavam os episódios de violência, foi determinante para a decisão de romper o relacionamento. As crianças, segundo o relato, chegavam a acordar assustadas com os conflitos.
Após a denúncia, a família passou a contar com o suporte da rede de proteção às mulheres, recebendo acompanhamento psicológico voltado tanto para a mãe quanto para os filhos. Serviços como o Centro Estadual de Referência e Apoio à Mulher (Cream), localizado na Avenida Presidente Kennedy, no bairro Educandos, oferecem atendimento multidisciplinar, com psicólogos, assistentes sociais e pedagogos dedicados ao acolhimento das vítimas.
Reconstrução e nova perspectiva de vida
Hoje, a entrevistada afirma encarar o período vivido como um verdadeiro livramento, reconhecendo que chegou a temer pela própria vida durante as agressões. Ela também chama atenção para o preconceito que mulheres em situação de violência costumam enfrentar, muitas vezes responsabilizadas indevidamente pela situação vivida.
Atualmente formada em técnica de enfermagem, ela também atua como massoterapeuta e está concluindo uma graduação. Entre seus planos está a criação de um grupo de apoio destinado a incentivar outras mulheres a buscarem ajuda e romperem ciclos de violência.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência doméstica podem procurar atendimento nas Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher, acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou buscar orientação por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo Ligue 180, serviço gratuito disponível 24 horas em todo o território nacional. Em Manaus, as delegacias da Mulher funcionam em três unidades, distribuídas nas zonas Centro-Sul, Sul e Leste da cidade.
- Avenida Mário Ypiranga, 3395 – Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul
- Rua Desembargador Filismo Soares – Colônia Oliveira Machado, Zona Sul
- Avenida Nossa Senhora da Conceição – Cidade de Deus, Zona Leste
Fonte: G1 Amazonas

