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Psicóloga de Manaus relata ciclo de abuso e hoje acolhe vítimas

Psicóloga de Manaus relata ciclo de abuso e hoje acolhe vítimas

Imagem: G1 Amazonas

A Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (7), data que reacende discussões sobre os mecanismos de proteção às mulheres em situação de violência doméstica no Brasil. Em Manaus, a psicóloga Andréia Batista transformou uma trajetória marcada por relacionamentos abusivos em ferramenta de trabalho, utilizando a própria experiência para ajudar outras mulheres a reconhecerem sinais de violência e buscarem apoio.

Uma trajetória marcada por dois relacionamentos abusivos

Andréia foi vítima de agressões em dois relacionamentos ao longo da vida. Segundo ela, antes da violência física se manifestar, existia um processo mais silencioso e difícil de perceber: desqualificação, culpa e manipulação psicológica que a levaram a acreditar que precisava se adequar para merecer respeito.

No primeiro caso, a denúncia nunca chegou a ser formalizada. Foi por meio do apoio da filha e de outros familiares que ela conseguiu se afastar do relacionamento. Já na segunda experiência, embora tenha identificado os sinais de abuso com mais rapidez, enfrentou outra barreira: o receio de expor a própria história e ser julgada por pessoas ao seu redor, o que dificultou a busca por ajuda formal.

Rede de apoio e reconstrução

A psicóloga relata que o apoio de uma amiga foi decisivo para que registrasse a ocorrência e solicitasse uma medida protetiva. A partir daí, contou com atendimento da Defensoria Pública, acompanhamento do Instituto Médico Legal (IML) e suporte psicológico e social — serviços que, segundo ela, foram essenciais para a reconstrução de sua vida após o trauma.

Para Andréia, o processo de elaborar a experiência não significou apagar o que viveu, mas ressignificar essa vivência como parte de sua história e de sua atuação profissional. Atualmente, ela dedica parte do seu trabalho ao acolhimento de mulheres que passam por situações semelhantes, e em 2025 participou de uma exposição voltada a dar voz a vítimas de violência doméstica, incentivando outras mulheres a romperem o silêncio.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência doméstica podem procurar atendimento nas Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher, acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou buscar orientação por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo Ligue 180, serviço gratuito disponível 24 horas em todo o país. Em Manaus, as delegacias da Mulher atendem em três endereços: na Avenida Mário Ypiranga, no Parque 10 de Novembro; na Rua Desembargador Filismo Soares, na Colônia Oliveira Machado; e na Avenida Nossa Senhora da Conceição, na Cidade de Deus.

A história de Andréia reforça uma mensagem central no debate sobre violência doméstica: o reconhecimento dos sinais de abuso, muitas vezes sutis, é o primeiro passo para romper o ciclo de violência. Duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha, relatos como o dela seguem sendo fundamentais para encorajar outras mulheres a buscar apoio e reconstruir suas trajetórias.

Fonte: G1 Amazonas