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Sítio no Amazonas revela cemitério indígena pré-colonial

Sítio no Amazonas revela cemitério indígena pré-colonial

Imagem: G1 Amazonas

Um estudo arqueológico conduzido no Seringal do Jauari, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, confirmou a existência de um antigo cemitério indígena na região. As escavações resultaram na identificação de quatro pontos com urnas funerárias e na coleta de mais de 200 fragmentos de materiais relacionados à ocupação pré-colonial da área.

Obra motivou investigação arqueológica

O trabalho começou depois que o proprietário de um terreno localizado dentro do sítio deu início à construção de um muro. Ao ser informado sobre a intervenção, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) notificou o responsável e exigiu a realização de um estudo arqueológico antes da continuidade de qualquer obra no local.

Diante da exigência, o proprietário contratou uma equipe especializada para conduzir um projeto de salvamento arqueológico. A proposta prevê a preservação da maior parte da área, com intervenções mínimas apenas em pontos avaliados como de menor relevância arqueológica, sempre sob orientação técnica.

Quatro urnas funerárias localizadas

Ao longo de aproximadamente uma semana de escavações, os pesquisadores encontraram quatro locais distintos com urnas funerárias, o que reforçou a hipótese de que a região funcionava como um cemitério indígena. As peças não foram retiradas do solo: a equipe optou por interromper as escavações justamente para preservar o contexto funerário original.

Especialistas descrevem o sítio como um espaço arqueológico complexo, que ajuda a reconstituir aspectos da vida dos povos que habitaram a região antes do contato com os europeus. A descoberta atual também dialoga com um achado feito há 14 anos, quando uma urna funerária foi localizada a cerca de 200 metros dali, contendo restos mortais de oito indivíduos, entre eles duas crianças.

Material será analisado em laboratório

Além das urnas, os arqueólogos recolheram mais de 200 fragmentos durante os trabalhos, incluindo pedaços de cerâmica, itens com pinturas e decorações, além de um possível instrumento utilizado como ferramenta pelos antigos moradores. Todo esse material será encaminhado a Manaus, onde passará por higienização, catalogação e análise em laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

As urnas identificadas nesta etapa da pesquisa, no entanto, permanecerão no próprio sítio, preservadas em seu contexto original.

Estudantes visitam o sítio arqueológico

Durante o período de escavações, alunos de uma escola municipal da região visitaram o Seringal do Jauari para acompanhar de perto o trabalho dos pesquisadores. A iniciativa buscou aproximar os estudantes da história indígena local e reforçar a importância da preservação do patrimônio arqueológico entre as novas gerações.

Itacoatiara concentra dezenas de sítios arqueológicos

Atualmente, o município de Itacoatiara conta com 46 registros no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), número superior aos 27 sítios catalogados em 2012. O Sítio Jauari já era objeto de pesquisas naquela época, quando reportagens locais registraram escavações realizadas como parte de um levantamento mais amplo do patrimônio arqueológico da cidade.

Preservação orienta futuras intervenções

O estudo realizado no Jauari está diretamente ligado a processos de licenciamento ambiental, nos quais o Iphan atua para garantir a identificação e a proteção de vestígios arqueológicos antes de qualquer obra. No caso analisado, a pesquisa permitiu mapear as áreas de maior concentração de achados e orientar limites para futuras intervenções no terreno.

Para os especialistas envolvidos, a preservação do sítio representa a manutenção de parte da memória dos povos indígenas que ocuparam a região muito antes da colonização. O local ainda reúne características naturais, com vegetação marcada pela presença de seringueiras, unindo em um mesmo espaço a história indígena e a ocupação mais recente da Amazônia.

O material coletado seguirá em análise pelos pesquisadores, com expectativa de ampliar o entendimento sobre o modo de vida das populações que habitaram Itacoatiara em período pré-colonial.

Fonte: G1 Amazonas