Incêndio volta a atingir vegetação no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba
Um forte incêndio voltou a atingir a vegetação às margens da rodovia AM-070, no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, na sexta-feira (2), dois dias depois do início das chamas. Na quinta-feira (1º), o Corpo de Bombeiros havia informado que o fogo na região estava 80% controlado.
Imagens feitas por moradores e compartilhadas nas redes sociais mostram grandes labaredas, que puderam ser vistas das margens do Rio Negro, em Manaus. Por causa do fogo, a qualidade do ar em pontos da Zona Sul da capital foi classificada como “ruim” pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). Até as 20h, o Centro era o local mais afetado, com 61,3 µg/m³, enquanto em Iranduba o nível era moderado, com 31,1 µg/m³. O ar é considerado bom quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) não respondeu se há relação entre o incêndio de sexta e o de quarta-feira.
Causas em investigação
Segundo o coronel do CBMAM Orleilson Muniz, equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Ambiental e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) foram acionadas para ajudar a identificar os responsáveis pelo fogo iniciado na quarta. A analista ambiental do Ipaam Liliane Munhoz explicou que a equipe faz uma varredura com imagens aéreas e pontos já identificados para localizar as propriedades atingidas e seus responsáveis. O uso de fogo, ainda que mínimo, é proibido no estado durante o período de emergência climática.
O comandante afirmou que quase todos os incêndios no estado têm origem humana, que o efeito do El Niño é agravante e que a corporação permanecerá na área até o controle total. Ele pediu que a população não use fogo em hipótese alguma até meados de dezembro.
Série de incêndios
Em 25 de setembro, outro incêndio na região destruiu cerca de 700 hectares de vegetação, com 35 bombeiros, 15 viaturas e mais de 150 mil litros de água. Na ocasião, a equipe de análise do CBMAM notou que as árvores queimadas pareciam ter sido cortadas antes do fogo, o que levou o comandante a apontar indícios de ação intencional. Os bombeiros não disseram se aquele episódio tem relação com os desta semana.
Combate no estado
Entre 1º de junho e 30 de setembro, o CBMAM combateu 17.178 focos de incêndio urbanos e florestais no Amazonas: 3.798 na capital e 13.380 no interior. Cerca de mil bombeiros e brigadistas atuam nas ações. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes passou de 11 para 25, e o efetivo subiu de 692 para 1.651 militares entre 2019 e 2026. Em maio, a corporação iniciou a operação Amazonas+Verde, que somou educação ambiental para mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto e a entrega de 20 viaturas e 453 equipamentos.
Foto: Reprodução/Sônia Nascimento
Fonte: g1 Amazonas

